#15CENAS – Lyrae
ㅤSeus dedos deslizavam pelas cordas em uma canção alegre e cuidadosa, que acolhia as almas daqueles que chegavam na imensa planície que agora chamava de lar. As notas soavam como um eco de seu próprio coração amargurado e remendado, encantando e alegrando os aventureiros desafortunados que dividiriam a eternidade naquele local de paz. A falta de conhecimento sobre os desprazeres existentes além das barreiras invisíveis à olhos nus, ou apenas incompreensíveis à ignorância de quem não tinha mais com o que se preocupar, lhe agradava.
ㅤUm sorriso fechado pintava seus lábios cansados, condizente com o balançar lento de sua cabeça em acompanhamento à melodia que o próprio deus Sol lhe ensinara. A ironia de suas ações era um contínuo martelar no fundo de sua mente adormecida, onde ainda não havia decidido se era extremamente grato ao deus dos mortos pela oportunidade de hospedar-se onde sua amada o esperava, ou se mantinha um grande rancor pelo que considerava ter sido um truque desleal contra sua curiosidade e insegurança enquanto mortal.
ㅤSeu coração etéreo, porém, desfazia todos os pensamentos letárgicos que poderia cultivar e o relembrava do calor que um dia sentiu nos braços de sua esposa, enquanto a observava dançar descalça pela pradaria diante de si, embalada pelo som de sua lira. O vento inexistente ao toque balançava os fios de cabelo da ninfa, que o olhava entre giros e balanços de seu corpo e sorria quando seus olhos se encontravam.
ㅤO conhecido barulho de pólvora estourando contra a aplicação de uma pressão rápida ecoou distante. A passagem do tempo desacelerou ao redor de si, transformando a figura esguia e feliz de sua amada dançando em um quadro perfeito diante de seus olhos.
ㅤQuase não conseguia lembrar do que havia passado ate chegar ali, ou há quanto tempo estava preso naquele lugar tão bonito, mas aquilo tudo não lhe importava mais. Colhia os frutos de seu amor incondicional àquela que ganhara seu coração, após cumprir todos os trabalhos que os deuses haviam imposto contra si. Com a exceção de apenas um trabalho.
ㅤNão sabia quem lhe dera aquela tarefa, tão estranha à seus costumes, mas a cumpria cegamente cada vez que era chamado. Não se importava com os instantes que passava naquela realidade diferente e hostil, onde tudo se movia tão devagar. Sua eternidade estava garantida ao lado de sua amada.
ㅤ- Orpheus!
ㅤUm sorriso fechado pintava seus lábios cansados, condizente com o balançar lento de sua cabeça em acompanhamento à melodia que o próprio deus Sol lhe ensinara. A ironia de suas ações era um contínuo martelar no fundo de sua mente adormecida, onde ainda não havia decidido se era extremamente grato ao deus dos mortos pela oportunidade de hospedar-se onde sua amada o esperava, ou se mantinha um grande rancor pelo que considerava ter sido um truque desleal contra sua curiosidade e insegurança enquanto mortal.
ㅤSeu coração etéreo, porém, desfazia todos os pensamentos letárgicos que poderia cultivar e o relembrava do calor que um dia sentiu nos braços de sua esposa, enquanto a observava dançar descalça pela pradaria diante de si, embalada pelo som de sua lira. O vento inexistente ao toque balançava os fios de cabelo da ninfa, que o olhava entre giros e balanços de seu corpo e sorria quando seus olhos se encontravam.
ㅤO conhecido barulho de pólvora estourando contra a aplicação de uma pressão rápida ecoou distante. A passagem do tempo desacelerou ao redor de si, transformando a figura esguia e feliz de sua amada dançando em um quadro perfeito diante de seus olhos.
ㅤQuase não conseguia lembrar do que havia passado ate chegar ali, ou há quanto tempo estava preso naquele lugar tão bonito, mas aquilo tudo não lhe importava mais. Colhia os frutos de seu amor incondicional àquela que ganhara seu coração, após cumprir todos os trabalhos que os deuses haviam imposto contra si. Com a exceção de apenas um trabalho.
ㅤNão sabia quem lhe dera aquela tarefa, tão estranha à seus costumes, mas a cumpria cegamente cada vez que era chamado. Não se importava com os instantes que passava naquela realidade diferente e hostil, onde tudo se movia tão devagar. Sua eternidade estava garantida ao lado de sua amada.
ㅤ- Orpheus!
leilok a.
(essa é pro zelos)
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